Por que precisamos de bons exemplos?

André Luiz Weschenfelder – Psicólogo do Nap – – CRP 07/32268 – contato@napvs.com.br

Há no nosso cérebro, e de outros animais de diferentes espécies, algo chamado Neurônios Espelho. Estes neurônios fazem exatamente o que o nome sugere, eles refletem um estímulo. Um exemplo fácil de entender é de quando alguém boceja e abre uma reação em cadeia de bocejos de outros a sua volta. Neste caso, recebemos um estímulo visual e o repetimos quase sem dar-nos conta.

Mas o que isso tem a ver com bons exemplos? Simples: grande parte de nossa aprendizagem se dá através de exemplos, por conta, também, dos Neurônios Espelho. Nós aprendemos algo novo repetindo o que outros fazem (isso pode explicar também a expressão “Maria vai com as outras”, pois continuamos escolhendo o que a maioria faz ou gosta, pois temos essa impressão de que o que a maioria faz é o melhor a se fazer).

Um outro fator importante para nossa conduta em meio a sociedade, são os vínculos que temos com outros seres humanos e não humanos, mas mais especificamente com nossos cuidadores. A criação de vínculos se dá a partir de alguns fatores. Quando somos recém nascidos, o simples olhar dos cuidadores já pode liberar ocitocina em nosso cérebro (ocitocina é um neurotransmissor conhecido como “hormônio do amor”). O toque, o olhar, o jeito que se fala, o carinho na interação com outro indivíduo determina o nosso vínculo. 

Então, imagine a cena: uma criança nasce, recebe estímulos em todas as esferas de percepção, mesmo que no começo seja menos desenvolvido suas formas de percepção, ela vai descobrindo o mundo. Ela percebe que seu cuidador tem certos comportamentos, nisso ela vai o imitando. Com os neurônios espelhos ela vai aprendendo a falar, tocar, caminhar, e além de funções motoras, aprende a pensar… As funções cognitivas são extremamente influenciadas por conta das pessoas com quem essa criança tem vínculo. 

Nisto entra inclusive, a nossa Moralidade. Nós vemos que nosso cuidador não gosta de algo, e passamos a não gostar daquele algo também. Nosso cuidador não come brócolis, logo não vou comer brócolis. São exemplos simples, mas que tomam proporções significativas no decorrer da vida.

As pessoas as quais temos maior vínculo, desde tenra idade, geralmente são as pessoas que irão nos ensinar nossa visão de mundo. Quando dizem “o fruto nunca cai longe do pé” há um motivo. Aprendemos o que estas pessoas nos ensinam, quanto mais forte o vínculo, maior a aprendizagem mimética (a repetição idêntica de um gesto ou comportamento observado).A  intensidade a qual imitamos determinado comportamento, está diretamente influenciada pelo vínculo que temos com a pessoas que imitamos.

O vínculo que temos com nossos cuidadores é um fator decisivo em muitas ocasiões. Nossos vínculos, positivos ou negativos, influenciam nossas decisões, nossa visão de mundo, e nossas preferências. Nosso modo de enxergar o mundo depende muito destes primeiros contatos que estabelecemos. Um enorme problema ocorre quando há um déficit nos vínculos positivos que a criança/adolescente pode ter. Além de um bom funcionamento cognitivo, precisamos ter um bom funcionamento emocional. Há, nesse quesito, uma urgência de afeto dos cuidadores, onde uma falta de amparo pode culminar em situações de risco à vida do indivíduo. Somos seres muito dependentes em nossos primeiros anos de vida, e os vínculos criados nesses estágios primários são de extrema importância para nosso desenvolvimento sadio.

Enfim, nossos comportamentos e processos cognitivos são influenciados por nossos vínculos e nossos neurônios espelho (há hipóteses que dizem que a empatia está diretamente ligada a este tipo de neurônio).

Dessa forma, querendo ou não somos exemplos para outras pessoas no nosso cotidiano. Em sociedade precisamos ter um bom convívio com as pessoas, e para tal, é preciso saber lidar de forma saudável, tanto cognitivamente como emocionalmente. Assim, é necessário sermos bons exemplos positivos para nossos pequenos. Além disso, a frequência com que vemos tal estímulo reforça tal comportamento no nosso dia a dia. Portanto, é indispensável dizer um “bom dia”, “como vai?”, “está tudo bem com você?”, pois, pode parecer gestos pequenos, mas são passos para um desenvolvimento empático e saudável.

Publicado por revistavitrini

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