Qual o impacto na equipe de saúde, quando um colega morre infectado pelo novo coranavirus?

Andrea Orives – Psicóloga – Q10 Saúde Clínica Integrada – contato@q10saude.com.br – 51 3597-3420

Tired, overworked, exhausted health care working sitting outside the hospital while taking a break

 O impacto gerado pela morte de um colega de equipe, por si só já traz consigo um estigma na vida das pessoas, e se tratando do novo coronavírus tem impacto muito maior na equipe de saúde, pelo alto grau de mortalidade. Fazendo com que os profissionais se questionem, sobre sua própria morte e como ficarão suas famílias. Surgindo alguns sintomas para estes profissionais que estão na linha de frente, como: ansiedade, dificuldades para dormir, se alimentar adequadamente e gerir seus sentimentos, frente a esta nova realidade.

     Segundo McGoldrick (1995) a morte pode ser esperada ou inesperada, e pode envolver ou não períodos de cuidados. Cada tipo de morte tem implicações na reação e no ajustamento familiar. A família reage com choque, não havendo tempo para o luto antecipatório. Após a intensa reação inicial a essas mortes, a perda é muitas vezes mascarada e tende a se tornar um tabu.

    Quando esta situação de morte ocorre na equipe de saúde, os colegas não tem como se despedir do colega infectado e sua família (seja pela despedida ser restrita aos familiares e pela demanda de trabalho que tem sido intensa devido a muitos colegas estarem afastados), dificultando o processo de luto. Sabe-se que este momento de despedida, o abraço, a última palavra, seja de agradecimento, desculpa ou desabafo, fazem parte do ritual de passagem, tanto para quem está em final de vida, como para quem está acompanhando a situação.

    Conforme Rando (1984), propõe que o agrupamento dos fatores que interferem no processo de luto seja classificado em três categorias: os fatores fisiológicos (qualidade do sono, fome, e a saúde física), os fatores sociais (nível de educação, religião, cultura, etnia e rede social) e os fatores psicológicos (gênero, experiências anteriores de perda, personalidade e significado da perda). Todos esses fatores influenciam não só no processo de luto, mas também na forma como o indivíduo vai enfrentar suas demandas.

  Muitos profissionais da equipe de saúde, não tem como se afastar, para vivenciar seu processo de luto, pois estão na linha de frente dos atendimentos da pandemia. Dependendo como este luto for vivenciado, pode se transformar em patológico, se não houver um cuidado especial com estes profissionais. Uma escuta qualificada, com profissional da psicologia ou psiquiatria, para acolher as questões que surgirem.

Publicado por revistavitrini

Revista que tem o foco de expandir negócios, promover empresas e trazer artigos de utilidade e informativos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: