Reflexão sobre adoção

Fernanda Passini – Advogada – adv.fernandapassini@gmail.com

Entra ano, sai ano… e sempre assisto as mesmas afirmações sobre o atual quadro de adoções e crianças existentes nos abrigos do País. Isso de imediato me causa uma reação ao que vejo ser relatado aos que assistem e leem as matérias sobre o tema. Com raras exceções,  chega até nós que os abrigos possuem crianças aptas a adoção, mas que o casais e pessoas que desejam adotar, sempre buscam o “perfil perfeito”, buscam um bebê saudável, e com as características elencadas no formulário preenchidos pelos pretendentes.

Até pouco tempo, se falava que tinham muito mais crianças do que pretendentes a adoção, o que agora, pelo menos, já passou a ser informado que não é bem a realidade. Mas se mantem como “vilão da história” o desejo dos pretendentes do bebê e com perfil mais restrito.

Tenho certeza que muitas pessoas se questionam e questionam os pretendentes: porque escolher o perfil do filho se quando nosso bebê é gerado não fazemos escolhas? Ninguém pára e pensa como agiria se fosse com você, não é mesmo?! Muitos julgam e apontam defeitos e falhas nos outros, mas nem param para pensar como se posicionariam se estivessem no lugar do outro. Você adotaria? Já parou para refletir o porquê desse formulário que o Juizado da Infância e Juventude solicita aos pretendes?

Pois então eu lhes pontuo alguns aspectos, que peço que considerem: a)- quando geramos um filho, passamos por todas suas fases –geração, nascimento e crescimento. Porque não poderiam os pretendentes também desejar viver o máximo dessas fases? Algumas pessoas se adaptam mais facilmente com crianças maiores, outros desejam os menores, cada um tem direito de manifestar o perfil que se julga mais apto e capaz; b) quanto a saúde – creio que devemos  pensar esse aspecto em relação a condições psicológicas em lidar com doença da criança, e também, condições financeiras de fornecer o melhor tratamento.

Ninguém nunca parou para pensar que existem razões pelas quais esse formulário foi criado? Ele tem por base estudos de profissionais (psicólogos, por exemplo) para buscar mais adaptação criança-família, e vice-versa.

É fácil julgar e apontar a responsabilidade, mas muitos que afirmam e julgam não se colocam no lugar, nem mesmo vivenciaram de perto situações de crianças adotadas. Além disso, não conhecem o lado de quem gera e administra a questão das adoções: o Poder Judiciário. Esse lado pouco se fala, mas muitas vezes as crianças que estão no abrigo, esperam uma família por mais tempo, pela constante insistência de recolocá-las na família que já mostrou não ser merecedora de receber esse ser. Tem também toda a questão estrutural de falta de pessoal para que os processos de adoção possam ter o andamento agilizado e também apurar os fatos e situações necessárias para destituição do pátrio poder e de concessão da guarda a nova família.

Quem escreve esse post não pretende ser a “Dona da verdade”, mas fala com conhecimento de causa por advogar em processos de adoção e por ter afilhadas que foram adotadas. Ainda vivemos em uma sociedade que julga e que é preconceituosa ao mesmo tempo.

Então o que proponho: antes de julgar, reflita, procure entender as pessoas, procure conhecer casos de adoção, procure se colocar no lugar. E a imprensa, pediria que parassem de “crucificar” os pretendentes e noticias sem a realidade como o todo – valorizado a atuação de Comarcas exemplares, como também as falhas do Poder Judiciário. Sejam justos e humanos com os pretendentes, compreendam que todos tem suas limitações e talvez por isso indicam preferências. 

Publicado por revistavitrini

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